21.9.06

A prova

César AiraO amor é um barril de pólvora, um balde de naftalina em cima de um carrinho de supermercado. É isso que Mao e Lenine ensinarão à jovem gorda que procuram seduzir. Não se trata de dar provas de amor, mas de fazê-las, de levantar poeira sem pensar muito nisso, porque só a acção irreflectida é verdadeiramente niilista. «As provas valem tanto como o amor, não porque sejam a mesma coisa nem equivalentes, mas porque abrem uma perspectiva a outra face da vida: à acção.» E já estamos perto da catástrofe.

César Aira, «A Prova». In: Como me tornei monja. Lisboa, Assírio e Alvim, 2005. Tradução de José Agostinho Baptista.