24.9.06

Insónia

Platão fundou a distinção entre corpo e alma. Uma distinção tão operativa quanto pecaminosa: o corpo tornou-se carne, a alma fumo. O cristianismo aprofundou a cisão. Descartes postulou uma glândula pineal como lugar de comunicação entre esses dois universos desavindos. Derrida falou da necessidade de desconstruir os pares dicotómicos sobre os quais têm assentado os fundamentos do pensamento ocidental - corpo/alma incluído. And so on... Á noite, em lugar dos sonhos, penso nisto - a história da filosofia tem sido a história da construção e pulverização da alma. Enquanto conto espectros de ovelhas saltitantes, gostava de conseguir imaginar-me algo mais do que fluxos e tensões. Poderia ser o começo de algo verdadeiramente estimulante.