6.6.06

Princípio da orfandade

Das histórias que faltam contar, abundam as amorais. São estas, enfim, as nossas histórias. Novelos emaranhados que não pertencem nem a deus nem ao diabo, porque pertencer a deus ou ao diabo é ter princípio-meio-e-fim, coisa que as histórias amorais não têm nem podem ter. Por isso não são contadas. No essencial, nenhuma história amoral pode sequer começar, porque revelar um início é sugerir à chegada uma “moral da história”. E a amoralidade desdiz a moral - e o seu inverso. Donde, não temos histórias propriamente nossas. O bem e o mal sim, esses têm-nas. Aos molhos. Nós continuamos órfãos.

Publicado outrora numa estrada já finita.