30.6.06

Poeira viva

Jacob de GruyterAs palavras não nos pertencem. Andam pelo ar, em círculos, como poeira viva, à espera de uma desatenção luminosa que as capte e ordene. Por vezes pegamo-las e somos capazes de nos surpreender. Outras não. Ou porque tocou o telefone, ou porque apareceu à porta um vendedor da TV Cabo, ou porque surgiu uma inadiável necessidade fisiológica. «Uma pedra olhava o mar em busca do último mamífero marítimo. Era quinta-feira e o mundo continuava ali, longe dos jorros repentinos que parecem ferver a água». O resto escapou, porventura para o lado daí, na esperança de melhor hospedagem. Se sim, força.