16.5.06

Cio

Escrever não é tudo. Há ainda o mundo e as rugas do mundo, o cheiro a peixe seco, os becos quase sempre povoados de lixo. Quando chegava a casa, espreguiçava-se lentamente e punha-se a pensar nisto. Pensava muito. Subia ao sofá e olhava lá para fora, nostálgico do que nunca fora. Até que adormecia, à espera de um novo cio que o libertasse dos desejos humanos.