26.4.06

Vítima da memória

Nem sempre é evidente o nome do rosto. Encontramos alguém na rua, lemos no sorriso cúmplice os lugares passados, mas uma névoa, uma sombria névoa, traça-nos a língua. A conversa é feita na fronteira do sobressalto, a um passo do medo dos racionalistas: desconhecer o conhecido. Por fim, afastados, sentimos o alívio de quem soube encobrir a fragilidade. Nos minutos seguintes, porém, seremos invadidos pelo remorso estúpido e dilacerante das vítimas.